A busca por uma vaga em creche na Vila Andrade, que pode chegar a 260 dias

14/11/2019 11:15 | Atualizado: 14/11/2019 21:00
Reportar erro Categorias Campo Limpo, Educação, Zona SulTags , ,

Fila de espera para atendimento no distrito da zona sul é a maior de SP; veja como anda o processo de algumas mães na busca por vagas para os filhos

Em toda a cidade de São Paulo, cerca de 75 mil crianças com idades entre zero e três anos estão na fila de espera por vagas em creches municipais. O tempo médio para conseguir uma matrícula é de três meses e meio (106 dias), considerando o intervalo entre a data de solicitação e o encaminhamento para uma vaga.

Alguns distritos da capital paulista, entretanto, apresentam um tempo de espera maior. No topo do ranking está a Vila Andrade, na zona sul, que mais registrou demora para o atendimento – cerca de 260 dias (confira mapa abaixo).

Os dados são da Secretaria Municipal de Educação (SME), referentes ao ano de 2018, e estão reunidos no Mapa da Desigualdade 2019, divulgado neste mês pela Rede Nossa São Paulo.

Moradora de Paraisópolis, bairro da Vila Andrade, a atendente Gabrielle Rocha, 22, esperou um ano e meio para conseguir uma vaga para o filho David. “Eu só consegui a vaga dele porque tive a atitude de ir até a Defensoria Pública [do Estado de São Paulo] para agilizar o processo de espera”, conta.

LEIA MAIS
Atraso em obras deixa 500 crianças sem creches na Cidade Ademar

Em pouco tempo, David já tinha idade para sair da creche e ser matriculado na Emei (Escola Municipal de Educação Infantil). Com isso, seu nome foi novamente para a fila de espera. A demora no processo fez com que Gabrielle custeasse uma escola particular para ter onde deixar o filho – que hoje está com cinco anos de idade.

“Na época, eu estava procurando emprego, então o fato do meu filho não estar na creche atrapalhava um pouco. Tinha sempre que procurar alguém para ficar com ele para eu poder ir a uma entrevista, por exemplo”
Gabrielle Rocha, moradora de Paraisópolis

Quem atualmente aguarda na fila de espera da creche é a Rovervânia Pereira, mãe da Dalila, de um ano e quatro meses de idade. Ela conseguiu atendimento preferencial para a filha, que tem síndrome de down, após cinco meses aguardando. Contudo, teve que abrir mão da vaga devido a distância até a creche.

“Eu coloquei o nome dela em uma creche próxima da minha casa e só fui saber que não era a que eu escolhi quando a vaga saiu”, conta Rovervânia, que também mora em Paraisópolis.

Quando uma vaga é recusada, o nome da criança volta para o final da fila. Segundo informações da Prefeitura, dos 75,2 mil nomes na fila de espera, 4.189 pais/mães buscam por uma vaga em uma unidade específica.

“Ela só ficou três meses matriculada porque eu estou desempregada e não tenho condições financeiras de levar minha filha até lá”, explica.

“A gente tinha que pegar uma lotação e, no horário da manhã, é muito cheio. Nos dias de chuva eu tinha que levá-la com a mochila e um guarda-chuva, então era muito difícil”
Rovervânia Pereira, moradora de Paraisópolis

VEJA AINDA
‘Educação também é feita pelo esporte’, diz morador da Vila Andrade

Ela conta que agora está tentando novamente uma vaga para Dalila, mas dessa vez na unidade mais próxima de casa.

A Prefeitura de São Paulo promete criar 32,6 mil vagas em creches municipais até o fim do ano que vem. De janeiro de 2017 até o fim de setembro deste ano, 52,8 mil vagas foram geradas pela gestão do ex-prefeito João Doria e de seu vice – e atual prefeito – Bruno Covas (PSDB).

OUTROS DISTRITOS

Além da Vila Andrade, os outros quatro distritos que mais registram maior tempo de espera também ficam na zona sul da cidade: Pedreira (255 dias), Morumbi (244), Cidade Ademar (233) e Itaim Bibi (221).

Na zona leste, a situação é oposta. O distrito de Guaianases registrou o menor intervalo para uma matrícula ao longo de 2018 — 18 dias. O número também é pequeno nos distritos vizinhos: Lajeado e Cidade Tiradentes (ambos com 23 dias) e José Bonifácio e Vila Curuçá (com 41 dias cada um).

Investir em educação de qualidade é a solução para diminuir violência em SP

Com colaboração de Henrique Cardoso.