Pacientes da zona sul são os que mais sofrem com demora por consulta médica

19/11/2019 12:24 | Atualizado: 19/11/2019 16:08
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Tempo é maior na Vila Andrade, onde a espera para atendimento com clínico geral nas UBSs foi de 75 dias, em 2018, segundo o Mapa da Desigualdade

Em média, o paulistano esperou 19 dias para ser atendido em uma consulta com clínico geral pelo SUS em 2018. Entre os 96 distritos de São Paulo, em apenas 17 deles não houve tempo de espera para o atendimento, apontam dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), reunidos no Mapa da Desigualdade 2019.

Na zona leste, a Vila Curuçá é apontada como um dos distritos sem fila de espera. Os pacientes têm a opção de passar no “acolhimento” – que, em casos urgentes, garante a consulta para o mesmo dia.

Por outro lado, o tempo médio para consultas de rotina é outro: “a consulta é marcada para daqui a um ou dois meses”. É o que conta a moradora Rosa Maria, 56, que esteve na Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Nova Curuçá em 2018 para marcar um retorno médico para o marido.

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Os dados também mostram que, no ano passado, não houve espera para consultas com clínico geral no Jaguara, na zona oeste de São Paulo. Isso tornaria o distrito um dos campeões em velocidade para marcação de consultas. No entanto, não é isso que dizem os moradores.

Eles relatam que a UBS da região está muitas vezes sem médicos, com uma espera de até quatro meses.

“Eu marquei uma consulta para o final de maio, mas me ligaram desmarcando porque o médico ficou doente. Fui novamente até a UBS remarcar para junho, mas também não fui atendida porque a médica estava de licença”
Celia Queiroz, 53 anos, autônoma

Célia conta que tentou a remarcação da consulta pelos três meses que se seguiram — e em todos eles, o atendimento foi cancelado por falta de médidos. Em setembro, ela foi atendida por uma enfermeira do local.

“Achei muito triste, pois meus exames são de acompanhamento do câncer e também da tireoide. A enfermeira falou que estava tudo bem, só que eu fiquei insegura”, diz.

A Coordenadoria Regional de Saúde Oeste informou à reportagem que a unidade está com o quadro de pessoal completo.

Segundo o órgão, são quatro médicos generalistas que atendem no local e os agendamentos são feitos de acordo com a prioridade estabelecida pelo quadro do paciente.

Outros distritos onde o tempo de espera é equivalente a 0 dia são: Campo Limpo, na zona sul, Pinheiros, na zona oeste, e Sé, no centro.

Na situação oposta, pacientes chegaram a esperar mais de dois meses para uma consulta. É o caso de Parelheiros (61,04 dias), Saúde (61,10), Limão (61,86), Casa Verde (62,40) e Brasilândia (62,46).

Contudo, o maior tempo de espera ficou na Vila Andrade, distrito da zona sul que abrange a comunidade de Paraisópolis. Por lá, o tempo médio no ano passado foi de 75 dias.

Os moradores relatam que, neste ano de 2019, houve uma melhoria, sendo possível passar em atendimento no mesmo dia. Além disso, afirmam que o aplicativo “Agenda Fácil”, da Prefeitura de São Paulo, tem agilizado o processo nas cinco UBSs da região.

UBS em Paraisópolis (Henrique Cardoso/32xSP)

Na zona noroeste, ainda segundo o Mapa da Desigualdade, o tempo de espera no distrito do Anhanguera, ao longo de 2017, foi de 107 dias (a pior média dentre os 96 distritos, na época). Em 2018, esse número caiu para apenas 27.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde se limitou a dizer que “a Prefeitura de São Paulo não comenta pesquisas sobre as quais desconhece a metodologia”.

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Colaboração: Eduardo Silva, Lara Deus, Patricia Vilas Boas, Henrique Cardoso e Jéssica Moreira.