O que é a ‘Operação Sono Tranquilo’, que inibe bailes funk em SP

02/12/2019 10:27 | Atualizado: 05/12/2019 16:25
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Iniciativa criada em 2017 pela subprefeitura da Cidade Tiradentes avançou por outras administrações locais; iniciativa divide opiniões

“Vi a ação da polícia a noite toda. É complicado. Ela vem, tenta fechar o baile funk. A galera evade da favela, depois retorna. Dessa vez, a polícia voltou e aconteceu tudo isso”, afirma Maria Aparecida, moradora e comerciante em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

Segundo ela, é corriqueira. “Pra gente é uma situação normal. O ano inteiro foi assim”. Nesse episódio, porém, nove jovens morreram pisoteados após ação ostensiva da Polícia Militar no baile da 17, um dos pancadões mais famosos de São Paulo. Estima-se que 5.000 jovens estão no local.

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A inibição de bailes funk na capital ganhou até nome em 2017: “Operação Sono Tranquilo”. A iniciativa foi criada à época pelo ex-subprefeito Oziel Souza, durante a gestão municipal de João Doria (PSDB).

Em Paraisópolis, no entanto, a tentativa de inibição não faz parte do projeto.

Sob fiscalização da subprefeitura, a ação é apoiada pela Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e CET (Centro de Engenharia e Tráfego).

Em 2018, a iniciativa foi descentralizada da Cidade Tiradentes e avançou por outras administrações locais, como no Jardim Robru, no Itaim Paulista, também na zona leste, e para o Ipiranga, na zona sul.

Com a operação, pancadões diminuíram, mas conflitos cresceram.

Assim como em Paraisópolis, a existência dos bailes funk divide opiniões. De um lado, a população reclama do barulho e bagunça; do outro, estão os defensores de mais opções de lazer para os jovens, ainda mais tendo em vista a ausência de equipamentos e iniciativas culturais nas zonas mais afastadas da cidade.

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CONFLITOS

No início de 2018, o então subprefeito da Cidade Tiradentes, Oziel Souza, recebeu ameaças de frequentadores dos fluxos, após proibir os pancadões irregulares na região.

Na ocasião, o ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse em entrevista à Rádio Bandeirantes que “pancadão é uma praga” e que muitos dos organizadores são originários de facção criminosa. A declaração não agradou os organizadores dos bailes funk, que cobraram a continuidade do projeto Funk SP (também conhecido como “pancadão oficial”).

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