4 em cada 10 paulistanos tiveram queda na renda em 2020

26/02/2021 16:10 | Atualizado: 26/02/2021 17:50
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Percepção de diminuição foi maior entre os moradores das periferias, em especial os das zonas sul e leste, segundo pesquisa da Rede Nossa São Paulo

Quatro em cada 10 paulistanos tiveram queda na renda pessoal no último ano. É o que revela o levantamento realizado pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência, divulgado na última quinta-feira (24).

Nas zonas sul e leste, a percepção de queda na receita pessoal foi a maior da cidade (43% e 46%, respectivamente).

A pesquisa Viver em São Paulo: Trabalho e Renda ouviu 800 pessoas com 16 anos ou mais. As entrevistas, online e domiciliares, foram realizadas entre os dias 5 de dezembro de 2020 e 4 de janeiro de 2021. 

 

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A seguir, destacamos algumas conclusões do estudo.

1. Queda nas periferias e estabilidade no centro

Nos últimos 12 meses, 43% dos paulistanos tiveram queda na renda familiar, um impacto de 12 pontos a mais se comparado ao ano de 2019. Deste total, entre os moradores das periferias, em especial os das zonas sul e leste, a percepção de queda na receita pessoal é maior (43% e 46%, respectivamente).

A renda se manteve estável para 41% dos entrevistados. Vale destacar que o centro registrou o maior percentual de estabilidade (56%) entre as regiões pesquisadas.

Cresceu também o peso da alimentação no orçamento familiar que, para metade dos pesquisados, tornou-se o item de maior impacto no fim do mês, seguido dos gastos com moradia (24%) e saúde (12%).

Outro destaque é o número de pessoas que passou a fazer algum bico para complementar a renda. Só no último ano, praticamente metade dos paulistanos precisou se comprometer com outras atividades, sendo o de serviços gerais o mais frequente (10%). Outros 7% produziram alimentos em casa para vender, enquanto 5% trabalharam de ambulante/camelô.

2. Perfil do desemprego na capital paulista

15% dos paulistanos estão desempregados. De acordo com a pesquisa, o desemprego atinge de forma mais acentuada alguns perfis populacionais específicos, a saber: as classes “D” e “E” (24%); com renda familiar de até dois salários mínimos (25%); pessoas pretas e pardas (20%); com ensino fundamental (21%); moradores da região sul (22%); com idade entre 16 e 24 anos (27%).

Ainda segundo o estudo, assim como em 2018 e 2019, cerca de 4 em cada 10 paulistanos desempregados (39%) estão nesta condição há no máximo um ano.

Registro em carteira (21%), remuneração (17%), e ser perto de casa (17%) são os itens mais importantes para os paulistanos na hora de procurar um trabalho. No entanto, a maioria (61%) afirma não existir oportunidades disponíveis próximo de casa.

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3. Percepção entre homens aumenta com relação às dificuldades das mulheres no mercado de trabalho

Cresceu e se tornou majoritária entre os entrevistados (56%) a percepção de desvantagem das mulheres em relação aos homens quanto às oportunidades no mercado de trabalho.

Vale destacar que, deste total, cresceu também entre os próprios homens a mesma percepção, um aumento de 12 pontos se comparado ao mesmo período em 2019.

4. Empreendedorismo

Dois em cada cinco paulistanos (41%) gostaria de abrir o próprio negócio em um futuro próximo. 25% afirmaram querer trabalhar de forma autônoma, seguidos de 19% que almejam ser empregados com CLT.  

No entanto, a falta de recursos financeiros é o obstáculo mais citado pelas pessoas que gostariam de ter um negócio (65%). Outros 30% apontam a burocracia como empecilho para abertura do próprio negócio, ao passo que 24% entendem que o atual cenário econômico não é favorável para começar algo do gênero.

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