Um ano após início da quarentena, SPTrans ainda mantém frota de ônibus reduzida

03/03/2021 17:42 | Atualizado: 11/03/2021 2:42
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1.506 coletivos deixaram de circular por conta da quarentena e ainda não voltaram às ruas; SPTrans garante manter operação acima da demanda apresentada

Diariamente, a professora Beatriz Marques, 25, usa duas linhas de ônibus e duas linhas de metrô para chegar até o trabalho. Antes da pandemia de Covid-19, cuja quarentena começou em março do ano passado, Beatriz gastava uma hora e meia no trajeto entre a sua casa em Itaquera, na zona leste de São Paulo, até a escola em que trabalha no Alto de Pinheiros, na zona oeste.

Com a volta às aulas em janeiro, a professora retornou ao trabalho presencial. Ela diz ter notado que o período em que passa no transporte aumentou consideravelmente, saltando para duas horas.

“Antes eu sofria um pouco com a demora dos ônibus, mas agora está cada vez pior. Essa semana, já fiquei mais de 40 minutos esperando no ponto”
Beatriz Marques, professora

Ponto de ônibus na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de SP (Paula Rodrigues/32xSP)

A causa da demora no trajeto de Beatriz pode ser mesmo fruto da redução do número de ônibus em circulação.

Segundo dados da SPTrans (São Paulo Transporte), a frota de ônibus da cidade de São Paulo operava com 12.814 veículos no início de março de 2020. Nesse período, a frota transportou 3,2 milhões de passageiros.

Com o avanço da pandemia, e após o primeiro decreto de quarentena em 22 de março, a demanda caiu significativamente. Em 25 de março, foram transportados 869 mil passageiros, uma queda de 73%. Isso motivou a prefeitura a reduzir a frota.

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Atualmente, quase um ano após a data, o transporte por ônibus da cidade de São Paulo ainda opera com menos ônibus. No total, 1.506 deles deixaram de circular na cidade por conta da quarentena e ainda não voltaram às ruas.

No último dia 12 de fevereiro, os coletivos da cidade transportaram 2 milhões de passageiros, enquanto o número de ônibus circulando foi de 11.308 (88,25% da frota total).

CRÍTICAS

No ano passado, a prefeitura e a SPTrans já haviam recebido críticas por manter a frota de coletivos reduzida.

Em junho, o desembargador Fernão Borba Franco, da 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), determinou que a SPTrans colocasse de 92% a 100% da frota de ônibus em circulação, atendendo a um pedido do Sindicato dos Motoristas. A prefeitura recorreu.

Já em agosto, 41% dos paulistanos disseram que o governo municipal deveria aumentar o número de coletivos nas ruas, segundo a pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia”, da Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope.

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De acordo com os entrevistados, essa seria a principal medida para garantir a segurança de usuários e trabalhadores do transporte em relação ao contágio pela Covid-19.

Em nota, a SPTrans garante que mantém a frota operando em níveis acima da demanda apresentada. “Nos bairros mais afastados do centro”, a empresa diz que a operação em dias úteis conta com 93,34% da frota de veículos em relação ao período anterior à pandemia.