44 dos 96 distritos de SP não têm coleta seletiva em todas as ruas

08/03/2021 15:31 | Atualizado: 16/03/2021 11:10
Reportar erro Categorias Jaçanã/Tremembé, Meio Ambiente, Resíduos sólidos, Temas, Vila Mariana, Zona Leste, Zona Norte, Zona SulTags ,

Proporção de lixo reciclável recolhido é maior na Vila Mariana e menor no Jaçanã/Tremembé; promessa da prefeitura era atender toda a cidade até fim de 2020

Às segundas, quartas e sextas-feiras, a dona de casa Rosemeire Carneiro da Silva, 46, moradora da Vila Aimoré, na zona leste de São Paulo, separa o lixo reciclável do lixo comum e entrega a um catador de resíduos recicláveis que passa recolhendo alumínios e papelões nas ruas do bairro.

“Comecei a fazer isso para ajudar as pessoas que ganham o pão com a reciclagem. Alguns vizinhos também fazem”, diz.

A rua onde ela mora não é atendida pelo serviço de coleta seletiva domiciliar da Prefeitura de São Paulo e, embora o bairro tenha um ecoponto [local onde são descartados resíduos recicláveis, restos de poda, móveis e até 1 m³ de entulho], a unidade fica longe de seu endereço.

Concessionária Loga, uma das responsáveis pela coletiva seletiva de lixo em São Paulo (Divulgação)

A distância do ecoponto também é apontada como um problema pela analista de atendimento Vanessa Cardoso de Oliveira, 38, moradora do Parque Regina, na zona sul da cidade. 

“A gente faz a reciclagem levando até o ecoponto, mas fica inviável para quem mora mais afastado ou quem trabalha fora. Minha mãe é um exemplo disso. Ela não anda direito por conta de cirurgias e por isso acaba misturando os lixos”.

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Apesar de ter sido uma meta da prefeitura o atendimento de coleta seletiva domiciliar em 100% dos 96 distritos da cidade até o final de 2020, o objetivo não foi alcançado dentro do prazo.

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), “a maior parte do território não coberto hoje pelo serviço são locais de difícil acesso ou que não permitem a passagem de caminhão”.

Vanessa diz que a informação passada pela prefeitura não procede. O caminhão de coleta seletiva não passa na rua onde ela mora, mesmo não sendo de difícil acesso.

“Minha rua é de fácil acesso, inclusive ela interliga dois bairros: Parque Arariba e Parque Regina. Ao lado, fica a avenida principal do bairro também”.

Já a moradora do Capão Redondo, na zona sul, Sônia Maria de Novaes, 55, atualmente sem emprego, reside em uma rua muito estreita para o caminhão. Isso faz com que ela precise se deslocar até a rua vizinha.

“A gente faz a separação do lixo reciclável, mas o chato é que não tem coleta em nossa rua. Seria mais fácil se passasse aqui. O lixo precisa ser colocado às 9h25. Às vezes quando a gente sai, não pode mais colocar e tem que ficar para a próxima semana”
Sônia Maria de Novaes, desempregada, moradora do Capão Redondo

Atualmente, cerca de 76% das ruas e logradouros têm a coleta seletiva implantada. Dos 96 distritos, 52 deles têm 100% de cobertura da coleta seletiva, segundo a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana).

COLETA DESIGUAL

Em 2020, o serviço de coleta seletiva da prefeitura recolheu 94,4 mil toneladas de materiais recicláveis nas ruas da cidade –- um aumento de 17% em relação a 2019, quando foram recolhidas 80,4 mil toneladas. Em algumas regiões, entretanto, o número foi desigual.

Dados obtidos pelo 32xSP via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, enquanto na Subprefeitura de Vila Mariana, na zona sul da capital, 13.706 toneladas de lixo foram coletadas seletivamente, em Jaçanã/Tremembé, na zona norte, foram apenas 224 toneladas recolhidas porta a porta.

As duas subprefeituras também registraram o mais baixo e o mais alto índice proporcional: 0,23% dos resíduos domésticos descartados em Jaçanã/Tremembé foram coletados seletivamente no ano passado, ante 13,1% na Vila Mariana.

A média em toda a cidade de São Paulo é de 2,48%. Das 32 subprefeituras, apenas quatro têm proporção maior do que 5%.

Subprefeitura da Vila Mariana é a que mais realiza coleta seletiva em SP (Magno Borges/32xSP)

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O QUE DIZ A PREFEITURA

No relatório final do Plano de Metas (2019-2020), a gestão Covas diz que, para que a coleta de resíduos recicláveis secos pudesse chegar às regiões não atendidas, “foi desenvolvida uma estratégia mista de caminhões, com modificação/acréscimo nas rotas para realizar a coleta porta a porta, e a instalação de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) de acordo com a estrutura de cada região”.

Para moradores de regiões que ainda não são contempladas com a coleta de lixo reciclável, existe a opção de descarte nos 115 ecopontos da capital. Veja a lista completa dos endereços dos ecopontos e pontos de entrega voluntária.

CONSULTE SUA RUA

A coleta seletiva na cidade é realizada por duas concessionárias: a Loga, encarregada pela prestação dos serviços nas regiões norte, oeste, centro e parte da zona leste (consulte aqui sua rua), e a Ecourbis, responsável pelas zonas sul e leste (consulte aqui sua rua).

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