Em audiência da Lapa, moradores cobram por hospital de referência na região

19/04/2021 17:28
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Demanda antiga da população, o Hospital Sorocabana está parcialmente fechado desde 2010; obra embargada da ponte Pirituba-Lapa também foi discutida

Na última segunda-feira (12), pouco mais de 80 das 305 mil pessoas que residem nos distritos que correspondem à Subprefeitura da Lapa se reuniram em  audiência pública. O objetivo era discutir o Programa  de Metas 2021-2024

De acordo com o Mapa da Desigualdade 2020, publicado pela Rede Nossa São Paulo, todos os distritos da subprefeitura apresentam índices bons ou satisfatórios em relação à saúde. Ainda assim, moradores da Lapa, na zona oeste, sentem falta de um hospital de referência na região e pedem a reabertura total do Hospital Sorocabana.

80 pessoas participaram da audiência pública online da Lapa  (Reprodução)

Dos 13 participantes que tiveram a palavra durante a audiência online, dez se referiram à questão do hospital como demanda importante. Em abril 2020, o 32xSP já havia relatado essa reivindicação

HOSPITAL DE REFERÊNCIA

“A prefeitura está assumindo [a gestão da unidade], mas precisa concluir a obra e entregá-lo sendo gerido 100% pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”, apontou Adaucto José Durigan, membro do fórum social da Vila Leopoldina e ex-subprefeito da Lapa durante a gestão de Marta Suplicy.

Inaugurado em 1955 e fechado em 2010, o hospital foi reaberto parcialmente o ano passado para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. No entanto, de acordo com a apuração da Agência Mural, a prefeitura não sabe qual será o destino desses leitos no futuro.

Para o eletricista e fotógrafo Anderson Fernandes da Silva, a reabertura da unidade também ajudaria na geração de empregos locais. “Tenho diversos amigos médicos, enfermeiros e enfermeiras, técnicos de enfermagem que estão desempregados e que moram na região da Lapa”, explicou.

Hospital Central Sorocabana, na Lapa, zona oeste de São Paulo (Toni Zagato/Reprodução)

“No ano passado, apesar de termos conseguido incluir o assunto na Lei Orçamentária Anual 2021, a necessidade da reabertura foi ignorada mantendo as respectivas verbas do seu funcionamento parcial”, pontuou Alberto Cândido, morador da região e membro do conselho participativo da Lapa.

PONTE PIRITUBA-LAPA

Outra demanda dos moradores é a obra embargada da ponte que fará a ligação entre os bairros da Lapa e de Pirituba, na zona norte. A ligação deve unir os trechos da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães que hoje são divididos pelo Rio Tietê.

A principal preocupação é com o trecho da Lapa, conhecido por alagar em dias de chuva e por terminar em um pontilhão estreito que permite a passagem de apenas um carro por vez.

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“Foi iniciada a construção, mas ainda não foi feito o alargamento da Avenida Raimundo Pereira de Magalhães nem mesmo um sistema de drenagem. A Vila Anastácio [zona oeste], está sempre alagada”, questionou a participante Júlia Carvalho Lima.

Em nota, a SP Obras, empresa que executa programas, projetos e obras definidos pela Administração Municipal, informa que a construção da ligação viária Pirituba-Lapa foi paralisada em abril de 2020 por liminar judicial.

Em agosto do mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo julgou procedente a Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público que anulou a licença ambiental da obra.

MORADIA

Problemas de moradia também entraram na discussão durante a audiência. A Subprefeitura da Lapa é a quarta em número de moradores em situação de rua, atrás das subprefeituras da Sé, Mooca e Santana-Tucuruvi. Os dados são do Censo da População de Rua de 2019. 

“Há poucos serviços para pessoas em situação de rua aqui na região da Lapa. São três centros de acolhida e um específico para pessoas com uso abusivo de drogas, mas nenhum aceita famílias”, argumentou Júlia Carvalho.

“Tem a meta que é sobre população em situação de rua, fala em 12 centros de acolhida, mas não diz onde. Alguns desses virão para a região da Lapa? Algum será para famílias?”, disse ela.

Já na Vila Leopoldina, o Projeto de Intervenção Urbana Leopoldina prevê a construção de moradias que beneficiariam mais de 1.200 famílias. O projeto deve ser financiado por instituições privadas e os moradores questionaram a falta de andamento.

“É um projeto de lei que está na Câmara. Não sei porque até hoje não foi aprovado, pois não precisa de recursos. A previsão é de construir 853 unidades e resolver os problemas de moradia no entorno do Ceagesp”, apontou o ex-subprefeito Durigan.

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Outro ponto levantado durante a audiência foi a questão das ciclovias na região e a segurança dos ciclistas. “Se eu fosse um gato, estaria só com uma vida, porque nas pontes quase me matam. A gente gostaria de ciclovia e ciclofaixa para proteger o munícipe”, disse Fernando Silva, que atende clientes de bicicleta. 

GESTÃO E TRANSPARÊNCIA

A audiência foi presidida pela secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Ana Claudia Carletto. 

A secretária iniciou explicando que as audiências públicas sobre o Programa de Metas se dão pela exigência da Lei Orgânica do Município de São Paulo. 

A lei estabelece que tanto o Programa de Meta quanto o Plano Plurianual, além da  Lei Orçamentária, sejam divulgados e debatidos com a população.

“Falar sobre o Plano de Metas é falar um pouquinho da importância do planejamento público e da construção dos instrumentos participativos para a elaboração de uma gestão democrática”, disse.

A fala da Ana Claudia foi complementada por Caio Luz, subprefeito da Lapa. “Hoje é um dia de ouvir e, para nós, do poder público, isso tem se tornado cada vez mais necessário. Na base do diálogo a gente consegue transformar gestão em transparência.”

Antes do início do evento, os moradores podiam se inscrever para o sorteio que escolheria 20 nomes para falar durante 3 minutos e apresentar sugestões para o plano.

Zona sul e centro são as mais verticalizadas de São Paulo
Lapa, distrito da zona oeste de São Paulo (Vagner de Alencar/32xSP)

METAS REGIONALIZADAS

Uma reclamação entre os moradores é de que as metas não foram regionalizadas. Alguns participantes disseram que não ter metas definidas para a Subprefeitura da Lapa dificultava debater sobre planos concretos para a região. 

“A gente ouve falar em unidades de saúde, CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), novos CEUs (Centro Educacional Unificado), mas não sabemos onde. Fica difícil de contribuir sem saber a localização”, disse Júlia.

“A versão preliminar ainda apresenta metas e ações para a cidade de São Paulo como um todo. A partir das audiências que estão sendo realizadas de forma regional, essas ações serão detalhadas e aquelas que forem cabíveis serão espacializadas e regionalizadas por cada subprefeitura”, explicou Ana Carolina Marco, assessora técnica da prefeitura presente na audiência.

A sessão contou também com a participação da vereadora Sandra Santana (PSDB) e do vereador Fábio Riva (PSDB). 

A vereadora apontou ser necessária a reforma do Espaço Cultural Tendal da Lapa e restauro do Mercado Municipal no mesmo bairro. Já Riva atentou para as metas que visam sanar problemas de moradia, tema do qual ele diz participar ativamente em seu mandato.

Mercado Municipal da Lapa (Reprodução)

“TÁ ME OUVINDO?”

A audiência da Subprefeitura Lapa abriu, juntamente com a subprefeitura da Sé, as audiências públicas que serão realizadas de forma virtual ao longo de abril. 

A transmissão da audiência da Lapa foi feita pela plataforma de chamadas de vídeo Microsoft Teams e também foi transmitida pelo YouTube.

Houve pequenas falhas técnicas apenas no início da audiência, quando a transmissão pelo YouTube ficou sem áudio. 

No momento em que a palavra foi aberta aos moradores da região, alguns microfones não funcionaram, obrigando as pessoas a saírem da chamada e entrar novamente para que o problema fosse resolvido.

A falha fez com que o tempo de audiência se estendesse, mas não causou grandes transtornos, uma vez que parte das pessoas sorteadas para serem ouvidas não estava online durante a sessão.

SUBPREFEITURA DA LAPA

Entre as 32 subprefeituras da cidade, a da Lapa é a segunda com o maior número de distritos, seis no total. O número é igual à Subprefeitura da Mooca e fica atrás apenas da Sé que possui oito. Os distritos que compõem a Subprefeitura da Lapa são: Barra Funda, Jaguara, Jaguaré, Lapa, Perdizes e Vila Leopoldina. O número total de moradores na região é de pouco mais de 305 mil pessoas vivendo em uma área total de 40,10 km². 

EXPECTATIVA DE VIDA

O distrito da Jaguara, por exemplo, tem 100% da população coberta pela atenção básica. E na Barra Funda consta zero mortes por doenças do aparelho respiratório e por câncer no sistema digestivo.

Entre os dez distritos com mais expectativa de vida, dois fazem parte da Subprefeitura da Lapa: Perdizes, com expectativa média de vida de 79 anos, e Lapa, com expectativa de 78,7 anos.

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