Capão Redondo, distrito mais populoso do Campo Limpo, é ‘esquecido’ durante audiência

04/05/2021 13:09 | Atualizado: 12/05/2021 16:45
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Propostas de melhorias para a região estiveram presentes no discurso de apenas um dos 13 moradores que falaram em plenária do Programa de Metas

Formada pelos distritos do Campo Limpo, Capão Redondo e Vila Andrade, a Subprefeitura do Campo Limpo é a mais populosa da cidade, com 607.105 habitantes, segundo o Censo de 2010. Os moradores dessas regiões tiveram a oportunidade de apresentar suas demandas para o Programa de Metas 2021-2024 durante audiência realizada em 22 de abril.

Essa foi uma das 36 audiências públicas promovidas pela Prefeitura de São Paulo ao longo do mês passado. 

35 pessoas participaram da audiência pública online de Campo Limo (Reprodução)

CAPÃO REDONDO

A região do Capão Redondo, na zona sul da capital, é a mais populosa dos três distritos, formando 44% da Subprefeitura de Campo Limpo. Entretanto, propostas de melhorias para a região estiveram presentes no discurso de apenas um dos 13 moradores com espaço para falar. 

Este único morador é Hélio Ricardo Gonçalves da Silva, que faz parte do Conselho Participativo Municipal. Em sua fala, ele pediu atenção às comunidades em áreas de risco e ao aumento da população em situação de rua na região.

Bairro Capão Redondo, um dos mais populosos de São Paulo (Léu Britto/Agência Mural)

“Precisaria ofertar mais abrigos, saúde e assistência social para essas pessoas, principalmente no entorno da Avenida Carlos Caldeira Filho, entre as estações Capão Redondo e Campo Limpo [da linha 5-Lilás do metrô]”, afirmou Hélio, que também pediu melhorias de acesso ao Parque Santo Dias, principal área verde no distrito.

A sessão online focada na Subprefeitura de Campo Limpo foi presidida pelo secretário de esportes e lazer Thiago Martins Milhim, com participações do secretário de relações institucionais João Cury Neto e da subprefeita da região, Cristiane Santos.

A reunião, feita pela plataforma Microsoft Teams, foi acompanhada por 35 pessoas. Isso representa 0,005% da população total desta subprefeitura. Outros três internautas acompanharam a transmissão pelo YouTube, cujo vídeo soma 97 visualizações.

MORADIA

A questão da moradia, puxada principalmente pelo contexto da pandemia, foi um dos assuntos mais debatidos, presente em três das 13 falas. 

Wellyene Gomes Bravo, também membra do Conselho Participativo, levantou observações sobre as metas relacionadas à moradias de interesse social, urbanização em assentamentos precários e regularização fundiária.

Ela pediu que essas propostas deem atenção maior à população com renda entre um e três salários mínimos. “Para termos uma cidade mais justa e inclusiva, a gente precisa pelo menos de um teto decente. Isso precisa ser uma prioridade máxima e o Campo Limpo precisa ser olhado com bastante carinho.”

Paraisópolis, uma das maiores favela de SP, pertence ao distrito da Vila Andrade, no Campo Limpo (Vagner de Alencar/32xSP)

SEGURANÇA ALIMENTAR

Outro assunto destacado foi a fome. As três pessoas que levaram o tema à audiência fazem parte do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.

Maria Angélica Oliveira deu atenção aos sacolões e mercados municipais. Ela cobrou a prefeitura por não ter construído nenhum equipamento deste serviço desde 2016. Em todo o território da Subprefeitura do Campo Limpo, existe apenas um sacolão municipal, o Cohab Adventista, no Capão Redondo.

“O Plano Municipal de Segurança Alimentar retoma o caráter social dos mercados e sacolões municipais, que é garantir produtos a preços acessíveis e que seja dos territórios, provenientes da agricultura familiar [como os orgânicos]. Que ofereçam qualidade de saúde para a população, principalmente às pessoas que estão na margem, invisíveis”, defendeu Maria Angélica.

OUTRAS QUEIXAS

A sessão do Campo Limpo também contou com observações ao próprio Programa de Metas. Houve questionamentos sobre demandas que estavam presentes no plano da gestão anterior, entre 2016 e 2020, e que não foram executadas.

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“Continuar discutindo metas sem rever as que já estavam previstas não será uma medida tão efetiva”, afirmou o participante Fabio Maia dos Santos.

Outra reclamação foi a falta de regionalização nas metas apresentadas pelos secretários na abertura da audiência. 

Todas as sessões são iniciadas com a leitura das 79 metas presentes no documento inicial. O processo de desenvolvimento do Programa prevê a inserção das pautas regionais após a realização das audiências.

“Nesse momento, estamos apresentando as metas para a cidade toda. Naturalmente, na versão final que será publicada em junho haverá a regionalização. O momento agora é de debater cada colaboração”, disse o secretário Thiago Martins.

DINÂMICA

A dinâmica que vem sendo utilizada nas audiências públicas permite três minutos de fala a 20 pessoas sorteadas ao vivo. Na sessão sobre o Campo Limpo, a subprefeita Cristiane interviu pedindo que o número fosse ampliado para 25 falas, porém apenas 23 se inscreveram. 

Dessas pessoas, seis não estavam presentes quando chegou a vez de se pronunciar, dois estavam duplicados no sorteio e outros dois eram vereadores. Pelas regras da plenária, eles teriam o momento para falar ao fim da sessão. 

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